Querido John,
Eu disse a ela que não subestimasse minhas fontes de distração. Que, na verdade, o que eu tenho de mais essencial não pode ser tirado à força, que enquanto eu tiver papel e caneta em meu poder, qualquer punição será inútil.
E menti.
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Por que cada palavra que eu escrevo é pra tentar me completar. É uma parte minha que falta. Meus personagens são as pessoas que eu não conheci. Escrevo sobre suas batalhas internas, sangrentas como as minhas, e escrevo simplesmente sobre ser compreendida. É um amor triste. É saudade de quem nunca veio. As palavras que eu escrevo são todas que não foram ditas.
A luminária escapou de minhas mãos estalando no corredor frio de argamassa, que é do lado de fora.
Assumi meu semblante mais zombeteiro, tranquei a casa por fora e rebeldemente saí, me deliciando com a aventura pra qual eu fora convidado. Já fui tão advertido. Registrei os célebres e mais variados sonhos, obrigando-me a atentar para o terrível fato de que eu estava sendo observado, afinal, estando preparado ou não, o tempo passa e a hora sempre chega.
Inconformado, frequentei psiquiatras em busca de remédios que pudessem me convencer que eu estava louco, pois àquele ponto, era eficaz no mínimo para manter a sensatez ao longo do dia.
O lótus das mil pétalas
Estar vivo é uma farsa. Na verdade, todos existimos, e o que separa este mundo do Astral, na verdade, não separa. Somos todos vibração em níveis diferentes. Meu chakra coronário está em disfunção. Talvez eu esteja "esquecendo" de comer e dormir, pois tenho uma curiosidade puríssima em morrer. Dizem que o demasiado faz mal, mas nunca me senti tão bela quanto agora, com esse aneis cinzas e frios ao redor dos olhos e a barriga vazia. Tenho certeza de que o aqui e agora é real, mas tenho mais consciência ainda no infinito. A espiritualidade é o exercício do desapego, e eu entendo.

Eu sou mais do que isso porque não passa um dia que eu não tente compreender quem eu realmente sou. Quem me dera poder abrir uma enquete online pra todo mundo que me conhece pedindo notas - carisma, sex-appeal, versatilidade, oque for -, calcular a porcentagem daquilo que me falaram como se eu pudesse ser corrigida como um bug. Eu não posso. Eu não quero. Eu sou mais do que isso.
Eu era a garota mais bonita do ônibus, e você me disse mais tarde, com todas as letras, que não ficou comigo porque eu não tinha "aquela coisa especial que atrai as pessoas". Até hoje espero que você estivesse falando de simpatia e não coisas mais profundas que rejeitem a minha ideia sobre mim.
Quer dizer, eu sei que não tenho muito jeito - nem com estranhos nem com meus próprios parentes, e que eu acabo sempre reclamando de algum problema, sei que minha voz não é clara e minhas intenções não são firmes, mas será que eu devo ser definida pelo que eu passo de impressão às outras pessoas? Não, não, aqui dentro tem um cérebro e ele não para de pensar nunca. Tem um milhão de coisas que faço ou que pretendo fazer um dia e ninguém sabe e nem precisa.
A esse ponto eu imagino que nasci pra ser uma pessoa, enfim, solitária. Os meus melhores amigos, converso sempre, mas não há nenhum que não tenha um assunto inviável de se falar. Tem gente que eu só fico de bobeira, tem gente que eu rasgo o verbo apenas em conversas profundas, e tem gente na qual só o silêncio basta - mas é claro que eu sou mais do que isso. É impossível achar alguém que te compreenda na sua totalidade.
Talvez eu não seja uma vitrine ambulante do que eu levo pra cama e pra debaixo do travesseiro, mas é aí é que tá, baby: a beleza é subjetiva e eu sou praticamente um pedaço de arte conceitual.
Dentro de mim não há um sentimento ébrio que faça eu continuar indo atrás de você como eu fazia. Diria que das calamidades, essa pode ser a mais útil. Sei que posso aprender a conduzir minha aura débil para algo bom.
Instabilidade é um privilégio

Nada se compararia a ver isso pessoalmente
E se eu disser que uma vez dito olá eu não temo casualmente dizer adeus, e que é ponderado o respeito ao limite de tudo aquilo que eu escolhi deixar passar?
Não sou uma obcecada por pessoas e coisas na maioria do tempo, só há dias que eu sou inatingível de tão aplicada ao que eu quero ver e a somente isso.
O conhecimento breve das mais possíveis coisas que se pode querer é um lema grande demais pra tatuar na pele mas posso dizer que tenho isso bem definido no meu dia-a-dia. Mesmo que a instabilidade do uso do tempo não seja segura, saiba que há certa sensatez na superficialidade; a minha dependência está na informação daquilo que existe e eu não posso ignorar. Se eu exploro um sentimento por alguém até sentir agonia, é por experiência e estudo. Eu sou apática assim. Não se pode ter tudo.
Mas digo que se você for vigilante comigo, vai notar que não sou apenas isso.
A quem possa interessar

Quando você não come seu sanduíche um unicórnio morre. #fatodopapai Com amor, papai
Eu não acredito mais no que meus olhos vêem. São limitados. E estão doentes.A garota que eu vi na rua hoje tinha muito cabelo. Ele era volumoso, comprido, liso. Sua roupa era curta e colada ao corpo. Tudo nela fazia-a parecer menos da metade de mim. Muito magra. E da minha altura. Diante daquela garota, daquela cena, senti algo em mim revirar-se. Como quando eu vejo sangue, sabe? Sou um tanto quanto sensível. Nesse momento sentei e comecei a observar os demais presentes, pra me distrair daquela sensação.
Claro, eu não sabia porque ela era assim. Podia ser seu biotipo, metabolismo acelerado, ou talvez ela apenas não se desse bem com comida (por gosto ou refluxo), mas podia ser resultado de uma obsessão, e ainda que não fosse, eu sei quantas e quantas pessoas são. Temi pelo que eu posso ser, já que tenho sentido cansaço, meu corpo insustentável. Temi pela minha melhor amiga - que de tempos em tempos chora pra mim o quanto seu peso te rotula na sociedade, e como pode ser um passe verde ou uma negação em sua vida.
Não estava vitimizando-nos. Enfim minha fraqueza deve ser consequência de outros problemas, imagino quais. Minha amiga não toma laxantes e eu tenho certeza que pensaria duas vezes antes de fazer algo que pudesse colocar sua saúde em risco. Pois tem muitas pessoas que sofreriam com isso, como eu, e sua família. Você, que está lendo isso, saiba que é barata a estética desse mundo. Como o dinheiro é apenas um papel, um corpo bonito não passa disso. Coloque sua moral à frente desses assuntos tão e tão mundanos.
E saiba que eu estou aqui. Eu prezo pela sua saúde e por tudo que você pode fazer. Foque no seu sonho e no seu talento. E não deixe que a futilidade de terceiros deixem-na abater, por favor. Por favor. Rezo pra pessoas como você todas as noites. Embora você não acredite, há muita gente que se importa.
"Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor olha o coração." 1 Samuel 16:7
Um dos meus primeiros textos (12/2011)

Dominique Swain
Quando li esse meu texto hoje a primeira coisa que me veio foi que estava ok, já que eu fiz com... (calculando) 12 anos. Queria ter aproveitado ele pra fazer um texto melhor com a minha maturidade de agora, mas o legal é ele ser tão antigo. Xx.Eu estava particularmente linda naquela manhã com cheiro de lavanda. Que clichê. Será que ele não tinha nada pior pra me falar naquele sábado? Tinha. Ele sempre tinha. E foi enquanto eu segurava na minha cabeça o meu descontentamento com o que ele disse que ele encostou de leve a mão na minha bochecha.
-Calma. –disse ele, enquanto acariciava aquela bochecha com uma estranha intimidade – Eu não falei pra te ofender, pequena. Ah, e aquela mania de me chamar de pequena é que me dava mesmo nos nervos. Mais tarde, naquele mesmo dia, a Julie me irritou muito. Mesmo. Mas não imaginei que ela tivesse visto aquela cena.
-Eita, Nathalie. –disse ela numa risada apropriadamente maléfica- Vai com calma com o rapaz.
Eu tentei explicar a Julie que ele foi o atrevido e teve sorte de eu não ter metido o pé naquela fuça, mas ela nunca entenderá. É inútil falar com a Julie. E é por isso que eu gosto tanto dela. Com ela, não é necessário fingir, muito menos dialogar. Julie é como a música. É livre, solta e ingênua. É como falar com as paredes. No bom sentido, claro. Decidi parar de pensar tanto e aproveitar o último dia naquele Resort. No domingo, iríamos embora. Mas o domingo não foi tão ruim como eu pensei. Ao invés de ter clima de véspera de segunda, teve clima de sexta-feira à noite. Antes, eu, fechada para as possibilidades não gostaria nada daquele domingo. Mas algo me tinha feito mudar. Só espero que não tenha sido o Leonard.
Eca. Olhos negros, pele branquinha, sardas no rosto, cabelo desajeitado teimando cair no olho. Só eu que não acho esse cara um gato? Sou só eu, sim. Anormal da minha parte. Como sempre. Sempre. Sempre considerada a anormal. Acho que aquele domingo estrangeiro pra mim foi normal pros outros. Completamente. Bom, digamos que aquele domingo foi bem “romântico”. Leonard. Leonard. Tinha que ser ele o cara a me falar tantas coisas bonitas? O importante tinha sido a minha perplexidade depois de ouvir tanto. Na verdade, o que estragou foi o beijo no final. Seguido pelo tapa. Clichê mais uma vez. Isso é ou não é a minha cara? É. Pode ser. Nada é impossível para Nathalie Prescott. Bom, a partir do tapa, as coisas se tornaram anormais (que surpresa, Nathalie!). E eu olhei pra ele com aquela expressão “foi o reflexo” e ele com aquela ilegível. Depois, bem, depois eu comecei a chorar. E, pra minha surpresa tudo que ele fez foi me dar aquele ombro pra eu chorar. Eu chorava enquanto ele cantava “Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora… E conte essas suas mágoas todas para mim… Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora… Porque gosta de mim.”. É o consolo "mais original" que eu já ouvi. Depois aconteceu algo bem pior. Depois que parei de chorar tanto, apenas demos as mãos e fomos embora, em silêncio. Até minha cabeça estava em silêncio. Foi um momento puro e bonito para mim. O tipo de momento que tem um esplendor inesquecível na minha mente.
No resto daquele dia, eu tentei desviar o meu pensamento do Leonard. Tentei me distrair com mimos como um café Starbucks. Na verdade, adiantou um pouco. Aquele café me fez lembrar de como eu conheci a Julie. Mas a Julie me lembra o Leonard. Pera lá! Isso não faz sentido algum. Eu me sinto uma Alice no país das maravilhas. Poxa, eu tô num lugar onde tudo é maluco. Preciso pensar no que vou fazer agora. Eu preciso decidir nesse instante o que fazer quanto a Leonard. Mas eu não estou com cabeça pra isso. Não. Eu vou dançar. Dançar conforme a música. Quando fui dormir, acabei pensando em tudo que tentei não pensar durante o dia. Eu quase não dormi, chorando. Mas dessa vez sem um ombro pra me apoiar.
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