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Por onde andei enquanto você me procurava?

Eu só consegui me sentir como uma Lolita morena e presumo que se você soubesse do meu atraso se divertiria muito. Tudo bem. Não vou dizer que eu fiz o que fiz pra te guardar sem mágoas, nem que eu planejei isso, porque estaria mentindo.
Eu espero que mesmo sem me ver de novo e ouvir minhas desculpas, você possa me perdoar. Nada original, eu sei, mas você foi meu primeiro amor, não importa quantos caras eu diga amar depois de você, quem eu amo é quem cantou I Wanna Hold Your Hand há dois anos atrás, colheu flores e moldou origamis em papel A4. De quem guardei meu primeiro presente de namoro, que foi entregue em um estacionamento suspenso, que só cabia nós dois. Você disse que o pingente era pra representar a falta que eu te "faço", mas provavelmente, não faço mais.
Eu acho que as coisas nunca voltarão a ser como eram, nem pra nós e nem pra nada. Uma parte minha agradece por ter sido por você minhas dignas primeiras lágrimas derramadas por amor, e outra sabe que isso irá se repetir.
Ainda não é esse

Quero um texto sobre saudade, pra enviar pro endereço que você tanto me insistiu para guardar em diferentes lugares... Não tenho os textos que quero sentir. Meus olhos estão cegos de não os ver, e meus músculos cansados do esforço.
Eu não podia perdê-los. Nem o número da casa, nem você. Eu quis decorar os detalhes da sua camisa de flanela, o cheiro da sua loção de barbear, a marca de bronzeado da aliança da sua ex-mulher. E eu decorei. Mais tarde senti o gosto dos nossos cafés-da-manhã, seu ovo sem sal, e o quentinho do seu cobertor cor-de-abóbora. Vou dormir com a melodia daquela música do Chico Buarque no meu subconsciente, e acordo ouvindo Gilmarley Song. Quero pedir desculpa pelo meu silêncio, mas simplesmente foi pra te ouvir.
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