
Anotação I

Por onde andei enquanto você me procurava?

Eu só consegui me sentir como uma Lolita morena e presumo que se você soubesse do meu atraso se divertiria muito. Tudo bem. Não vou dizer que eu fiz o que fiz pra te guardar sem mágoas, nem que eu planejei isso, porque estaria mentindo.
Eu espero que mesmo sem me ver de novo e ouvir minhas desculpas, você possa me perdoar. Nada original, eu sei, mas você foi meu primeiro amor, não importa quantos caras eu diga amar depois de você, quem eu amo é quem cantou I Wanna Hold Your Hand há dois anos atrás, colheu flores e moldou origamis em papel A4. De quem guardei meu primeiro presente de namoro, que foi entregue em um estacionamento suspenso, que só cabia nós dois. Você disse que o pingente era pra representar a falta que eu te "faço", mas provavelmente, não faço mais.
Eu acho que as coisas nunca voltarão a ser como eram, nem pra nós e nem pra nada. Uma parte minha agradece por ter sido por você minhas dignas primeiras lágrimas derramadas por amor, e outra sabe que isso irá se repetir.
Meu amigo Pedro
Pedro, seu nome já é um perigo por si só. Anagrama da palavra poder, intenso por suas sílabas explosivas, e idêntico ao do primeiro soberano da pátria.
Todo mundo sabe que você anda em linha reta e sem olhar para o chão e nem pra ninguém, que se faz de durão e se orgulha de exibir a cara mais séria possível.
O que nem todo mundo sabe, Pedro, é que você não é o que aparenta. Eles não sabem que você compra cofrinhos de pelúcia que latem ao jogar a moeda dentro, que abraça tão forte e lindo a ponto de arrastar a outra pessoa pra onde quer que você goste, e que pra arrancar um sorriso basta querer.
Quero retribuir. Quero ver o lado chato desse cara tão legal.
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